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Sobrecarga progressiva: como fazer na prática, semana a semana

Mãos colocando uma anilha pequena de ferro na barra já carregada com anilhas grandes

Sobrecarga progressiva é fazer o treino de hoje um pouco mais difícil que o da última vez no mesmo exercício: mais carga, mais repetições ou mais séries, sem piorar a execução. Na prática, o jeito que funciona para quase todo mundo é a dupla progressão: você sobe repetições dentro de uma faixa e, quando chega no topo dela em todas as séries, sobe a carga e volta para o começo.

O conceito cabe numa frase. O difícil é aplicar semana após semana sem se perder, e é disso que este texto trata.

Subir carga ou subir repetição?

As duas funcionam, e a diferença entre elas é menor do que a briga na internet sugere. Plotkin e colegas acompanharam 43 pessoas com pelo menos um ano de treino por 8 semanas, duas sessões por semana: 22 subiam a carga, 21 subiam as repetições. O músculo da coxa cresceu um pouco mais no grupo das repetições (2,8 mm) e a força no Smith subiu um pouco mais no grupo da carga (2,0 kg), com intervalos de confiança que cruzam o zero nos dois casos. A conclusão dos autores é que as duas progressões são estratégias viáveis (Plotkin et al., 2022).

Então escolha pelo que a academia permite. Se o menor salto de carga do halter é de 2 kg num exercício em que você usa 10, subir carga é um aumento de 20% de uma vez; ali, repetição é o caminho. Na barra, com anilhas de 1,25 kg de cada lado, a carga sobe em degraus pequenos e dá para alternar entre os dois.

Como fazer a dupla progressão, passo a passo

  1. Escolha uma faixa de repetições para o exercício. De 6 a 10 para os básicos pesados, de 10 a 15 para isolados costuma funcionar.
  2. Ache a carga com que você faz o número de baixo da faixa em todas as séries, sem destruir a técnica.
  3. A cada treino, tente uma repetição a mais em pelo menos uma série. Não precisa ser em todas.
  4. Quando todas as séries chegarem ao topo da faixa, suba a carga no menor salto disponível e volte para o número de baixo.

Um exemplo com supino, faixa de 6 a 10, três séries com 60 kg. Semana 1: 8, 7, 6. Semana 2: 9, 8, 7. Semana 4: 10, 10, 10. Na semana 5 a barra vai para 62,5 kg e você faz 7, 6, 6. A carga subiu 2,5 kg em um mês, e em nenhum treino você tentou nada heroico.

Homem agachando com a barra nas costas na posição mais baixa do agachamento livre

O que segura esse sistema de pé é saber, no dia, o que você fez na última vez. De memória, a semana 2 vira "acho que foi 8", e a progressão anda em círculo.

E ajustar pelo dia, em vez de seguir a planilha?

É o que se chama de autorregulação: em vez de uma porcentagem fixa do 1RM, você escolhe a carga pelo esforço, por exemplo "a carga com que sobram duas repetições". Helms e colegas compararam as duas abordagens. O agachamento subiu 13,9 kg no grupo da porcentagem fixa e 17,1 kg no grupo do esforço; o supino, 9,6 kg contra 10,7 kg. A diferença não foi estatisticamente significativa, e os autores leram como uma possível vantagem pequena para o esforço (Helms et al., 2018). Uma meta-análise de 15 estudos, de Hickmott e colegas, achou ganhos de força parecidos entre autorregulação e prescrição padronizada (Hickmott et al., 2022).

Na prática, as duas coisas convivem bem. A dupla progressão diz para onde ir; o esforço do dia diz se hoje é dia de tentar. Num dia de sono ruim, repetir a semana passada também é treino. O artigo sobre RIR e RPE explica como medir esse esforço.

O que fazer quando a progressão trava?

Travar é normal. Três semanas seguidas sem ganhar repetição nem carga no mesmo exercício é o sinal para olhar o registro antes de mudar o treino inteiro. As causas mais comuns aparecem no próprio histórico:

  • Descanso encurtou. Duas repetições a menos com o mesmo peso podem ser só 60 segundos a menos entre as séries.
  • Volume do músculo caiu sem você perceber, porque um exercício saiu da rotina.
  • A técnica mudou. Amplitude menor faz o número subir sem você ter ficado mais forte, e o número cai quando você corrige.
  • Cansaço acumulado. Aí entra a semana mais leve.

Semana de deload: precisa?

Um painel de 34 treinadores consultados por Bell e colegas definiu o deload como um período de estresse de treino reduzido para diminuir a fadiga física e mental e preparar o próximo bloco (Bell et al., 2023). Uma pesquisa com 246 atletas de força achou deloads de cerca de 6 dias a cada 5 a 6 semanas, em média (Rogerson et al., 2024).

Cuidado com o que o deload é. No estudo de Coleman e colegas, 39 pessoas treinaram 9 semanas, e um grupo parou de treinar por uma semana inteira no meio. A hipertrofia ficou igual entre os grupos, mas o grupo que treinou direto ganhou mais força nas pernas (Coleman et al., 2024). Parar de vez não é a mesma coisa que reduzir, e o estudo testou parar. A versão mais usada continua sendo treinar com menos séries e um pouco menos de carga por alguns dias.

Por que sobrecarga sem registro não acontece

Todo método acima depende de um número da semana passada. Sem ele, a dupla progressão vira chute, o platô passa despercebido e o deload vem quando você já está quebrado. O formato importa menos que a constância, e o guia de como anotar o treino mostra o que cada série precisa ter.

Perguntas frequentes

O que é sobrecarga progressiva?

É tornar o treino um pouco mais difícil que o da última vez no mesmo exercício, com mais carga, mais repetições ou mais séries, mantendo a execução. É o princípio que faz força e músculo continuarem crescendo depois das primeiras semanas de treino.

É melhor aumentar a carga ou as repetições?

Os dois funcionam. Num estudo de Plotkin e colegas com 43 pessoas treinadas por 8 semanas, subir carga e subir repetições deram ganhos de força e músculo parecidos. Escolha pelo salto de carga disponível: com halteres de saltos grandes, suba repetições primeiro.

De quanto em quanto tempo fazer deload?

Não há regra fixa. Numa pesquisa com 246 atletas de força, o deload típico durou cerca de 6 dias a cada 5 a 6 semanas. Faça quando a progressão travar por várias semanas e o cansaço acumular, reduzindo séries e carga em vez de parar de treinar.

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